Mas não foi aí que começou, bom, esse foi o primeiro pontapé inicial para todos os outros acontecimentos, uma chuva de coisas novas, algumas boas e algumas ruins. Acho que não vou classificá-las, nem eu sei exatamente como. Não estou dizendo que tudo que me aconteceu foi culpa da minha irmã. Mas pelo menos metade do que eu desenvolvi foi porque ela entrou no meu lugar. Dizem que coração de mãe sempre cabe mais um... vai lá dizer isso à um pobre filho mais velho. Não estou fazendo drama, pelo contrário, foi de certo modo 'bom' ela ter tirado a maior atenção de mim. Menos drama. Não, eu não disse que evitou o drama, só disse que diminuiu. Porque o maldito continuou lá, ele e um outro individuo traiçoeiro, o preconceito. Conhece uma família dividida? Pois é, meus pais são assim. No começo era tudo perfeito, mas até eu comecei a ver os podres, e eram tantos que eu não consegui ignorar. E eu carreguei tudo nas costas, toda aquela carga horrorosa e doentia.
Eu tentei me incluir na vida da minha irmã, no começo eu amei ela, amei com todo o coração, eu juro. Mas minha mãe me afastou dela, minha mãe e meu pai. Era como se tivessem medo de eu estar tramando um plano diabólico. E eu definitivamente passei a ter certo ódio por aquela droga de bebê que me roubou meus pais, minha perfeição, meus parentes, minha atenção e toda a minha vida. Mas eu aprendi, de certo modo, com isso. Eu comecei a caminhar por mim mesma, já que não havia mais ninguém que se interessasse em ver meus passos.